Hoje, no Segunda com Ciência, apresentamos a pesquisa do professor Maurício Macedo Vieira vinculado ao Centro de Educação, Letras e Artes (CELA), na área de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.
A pesquisa analisa os documentos orientativos que norteiam o currículo das escolas da rede estadual de ensino de Mato Grosso, verificando se eles incorporam ou não temas relacionados às crenças e manifestações religiosas de matriz africana.
Estudar essa relação é uma forma de produzir conhecimento para o enfrentamento do racismo, fortalecer a educação das relações étnico-raciais e contribuir para que a escola reconheça a história, a ancestralidade e os saberes africanos e afro-brasileiros como constitutivos da própria sociedade brasileira.
Quem é o pesquisador? 🔍
Prof. Maurício Macedo Vieira é doutor em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Informamos que a liderança indígena Ashaninka Américo Pascual Tumisha, da Comunidade Nativa Onconashari (Peru), está viva e em segurança com sua família.
A atualização foi feita pelo Jornal O Varadouro na matéria “Liderança Ashaninka está viva: falso alarme expõe nível de vulnerabilidade da fronteira” (26/08), a partir de correção da própria Organização Regional Aidesep Ucayali (ORAU). A confirmação só foi possível após uma comissão da Guarda Indígena de Fronteira ACONADIYSH se deslocar até a comunidade.
Como mostrou o Varadouro, o alerta inicial surgiu em um contexto de isolamento, falta de comunicação e ameaças permanentes após denúncias de invasões e ação do crime organizado na fronteira.
O episódio evidencia a importância de fortalecer a fiscalização e a proteção permanente dos povos indígenas, com presença estrutural do Estado, sistemas de comunicação para as comunidades e atuação coordenada entre Brasil e Peru, como têm defendido lideranças como Francisco Piyãko e organizações como a CPI-Acre.
Seguimos em solidariedade a Américo, sua família e à Comunidade Onconashari, e reafirmamos nosso compromisso com a defesa da vida e dos territórios indígenas.
Diretoria da Adufac Rio Branco, 29 de agosto de 2026
A agricultura familiar unida à agroecologia transforma a terra em fonte de vida e produz a maior parte dos alimentos que chegam à mesa das pessoas. Esse modelo de produção mantém as famílias no campo com dignidade, valoriza o saber tradicional de cada região e fortalece a economia local por meio do comércio direto.
Ao cultivar a terra totalmente sem venenos ou aditivos químicos, a agroecologia protege o solo, preserva a água e cuida da vida dos animais. Esse sistema utiliza a própria biodiversidade e a mistura de plantas para evitar pragas de forma natural, respeitando o tempo da terra sem agredir o meio ambiente.
Como resultado desse cuidado, os produtos sem agrotóxicos levam mais saúde, sabor e nutrientes de verdade para o corpo de quem os consome. Escolher esses alimentos significa apoiar o trabalho coletivo de quem planta e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.
Nesse cenário, o protagonismo feminino é fundamental, ganhando força e voz por meio das militantes do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). Com um projeto de agricultura camponesa agroecológica e feminista, elas lideram o cultivo de alimentos saudáveis. A luta dessas mulheres garante a soberania alimentar, combate à fome e demonstra que a preservação da saúde e da natureza passa necessariamente pela igualdade de gênero no campo.
Por isso, a Feira da ADUFAC busca fortalecer a agroecologia, o trabalho das mulheres camponesas e artesãs e o comércio da produção local.
A partir do dia 28/08, das 7h às 11h30, no pátio da ADUFAC a nossa feirinha está de volta todas as sextas-feiras! Ah, e sabia que elas trabalham com encomendas? Então, se você quiser, basta combinar amanhã que toda sexta te entregam!
Confira os produtos que estarão à venda!
Geovana do Nascimento Castelo Branco (MMC) Pães caseiros com grãos, de milho, batata doce Baixaria de carne e de frango Bolos de castanha, cupuaçu, maracujá, macaxeira, milho verde e capim limão (capim-santo) Tortas Iogurte natural Geleias de abacaxi, mamão Farofa Cocadas Banana prata e comprida
Rosângela da Silva Carvalho (MMC) Pé de moleque Goma com castanha e sem castanha Laranja Tapioca com castanha Ovos caipira Polpas de frutas Galinhas caipira Baixaria Queijos Sucos naturais Castanha descascada
Rosa Maria Mota (MMC) Banana Macaxeira Ovos Galinha Tapioca
Maria Leude (MMC) Pé de moleque Bolo de macaxeira Cheiro verde Banana
Maria das Dores Ferreira (MMC) Polpa de cupuaçu Ovos Galinha Banana comprida e prata Cheiro verde Salsa Chicória Pimenta de cheiro Couve Rúcula Alface
Socorro (MMC) Tapioca com castanha Bolo de macaxeira Cheiro verde Pimenta de cheiro Couve Leite Jerimum Mamão Banana maçã
Nice Maia – Lojinha de crochê Bonecas plurais e étnicas Bichinhos Personagens Decorativos Chaveiros e demais amigurumis
Ligiane Santos – Confeitaria Artesanal Bolos de Banana caramelizada/café/castanha com doce de leite/cacau Biscoito de castanha Torradas de bolo Capuccino artesanal Presentes
A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre – ADUFAC, Seção Sindical do ANDES-SN, vem a público manifestar seu profundo repúdio e indignação diante do assassinato da liderança Ashaninka Américo Pascuala Tomisha, 57 anos, morto a tiros no dia 23 de agosto, enquanto realizava ação de vigilância territorial contra a retirada ilegal de óleo de copaíba na Comunidade Nativa Onconashari, no distrito de Yurúa, província de Atalaya, Peru, fronteira com o Acre.
Este crime brutal não é um fato isolado. Conforme noticiado pelo jornal O Varadouro, ele ocorre pouco mais de um mês após a invasão armada à Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo (AC), quando cinco homens fortemente armados ameaçaram lideranças na aldeia Apiwtxa por impedirem o uso do território como rota do narcotráfico. Ocorre também dez anos após o massacre de Saweto, em 2014, quando quatro lideranças Ashaninka foram executadas por denunciarem madeireiros ilegais.
O que une todos esses casos é o mesmo padrão: a ausência estrutural do Estado brasileiro e peruano na faixa de fronteira, a entrega dos territórios ao crime organizado, do garimpo, da extração ilegal de madeira e copaíba, e a exposição das próprias lideranças indígenas, que são obrigadas a fazer com o próprio corpo a fiscalização que caberia ao poder público. Desde 2020, conforme denuncia a Coordenadora Nacional de Direitos Humanos do Peru, o Estado peruano já tinha conhecimento das invasões em Onconashari.
No lado brasileiro, como bem alertou a liderança Francisco Piyãko, a presença policial tem sido temporária e reativa. Operações pontuais não protegem vidas. A fronteira de 3,5 milhões de hectares de floresta que abriga os Ashaninka, povos em situação de isolamento voluntário e de contato recente, não pode continuar desprotegida.
Diante da gravidade dos fatos, a ADUFAC exige:
1. Das autoridades peruanas: investigação imediata, imparcial e transparente do assassinato de Américo Pascuala Tomisha, com identificação e punição de executores e mandantes, e proteção efetiva e urgente para os moradores, vigilantes e autoridades de Onconashari.
2. Do Governo Federal, FUNAI, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Justiça e Governo do Estado do Acre: a implementação de uma política permanente, estruturada e com inteligência na fronteira, para além de operações episódicas; o fortalecimento da proteção territorial indígena e a garantia de vida e segurança para as lideranças ameaçadas, em especial do povo Ashaninka da TI Rio Amônia.
3. Do Ministério Público Federal e da Justiça: o acompanhamento rigoroso das denúncias e a responsabilização do Estado brasileiro por sua omissão na proteção dos povos indígenas, conforme prevê a Constituição Federal.
A ADUFAC se solidariza com a família de Américo Pascuala Tomisha, com a Comunidade Onconashari, com a ORAU, a AIDeSEP e com o povo Ashaninka do Rio Amônia.
Defender os povos indígenas, seus territórios e a floresta é defender a vida. A violência na fronteira não pode ser normalizada.
Rio Branco – AC, 26 de agosto de 2026.
Diretoria da ADUFAC – Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre
O ensino superior público e a ciência brasileira estão sob forte ataque.
Por um lado, políticas de austeridade fiscal sufocam o orçamento das instituições de ensino e pesquisa, colocando suas atividades em risco. Por outro, a extrema direita, com seu negacionismo e visão reacionária da sociedade, procura descredibilizar a educação e a ciência, perseguir docentes, intimidar estudantes e estimular falsas crenças sobre o papel do conhecimento na vida dos indivíduos e coletividades.
Contra essa avalanche de ataques, é preciso dizer à população brasileira em alto e bom som: a educação superior e a ciência são peças fundamentais na transformação da nossa realidade.
Mais de 95% da produção científica brasileira provém de universidades públicas. Instituições públicas de ensino e pesquisa respondem por quase 23% de todos os depósitos de patentes de brasileiros ou residentes no Brasil, segundo o INPI – quatro das seis maiores requisitantes do país são universidades públicas.
A presença de estudantes negros/as nas universidades públicas cresceu mais de 22% nos últimos 20 anos, chegando a 51,2% do total de matrículas. Atualmente, 64,7% dos estudantes das Universidades públicas vieram integral ou majoritariamente de escolas públicas e 70,1% pertencem a famílias com renda mensal per capita de até 1,5 salário-mínimo.
A taxa de emprego informal é 45% menor entre pessoas com ensino superior completo, em comparação com quem cursou apenas o ensino médio. Trabalhadoras e trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 148% a mais.
O ensino superior e a ciência transformam vidas e o país. Por isso, o ANDES-SN lança a iniciativa “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. Contra a desesperança alimentada pela extrema direita e o realismo cínico daqueles que defendem cortes, chamamos a atenção da população brasileira para a esperança e para a defesa desse patrimônio tão importante para a classe trabalhadora, que são as instituições públicas de ensino e pesquisa.
Afinal, quem ataca a ciência e a educação não merece seu voto, nem sua atenção!
O ANDES-SN se reuniu, nessa quarta-feira (19), com a Corregedoria do Ministério da Educação (MEC) para tratar de situações de perseguição, assédio e outras formas de opressão vivenciadas por docentes, técnicas e técnicos e estudantes das universidades e institutos federais e dos cefets. A reunião foi realizada no edifício anexo do MEC, em Brasília (DF), e contou com a participação do corregedor da pasta, Daniel Xavier Lara, e do corregedor adjunto, Jorge Luiz Mourão.
Pelo ANDES-SN, participaram da reunião a secretária-geral, Fernanda Maria; a 3ª vice-presidenta, Annie Hsiou; o 1º vice-presidente Regional Norte 1, Marcelo Vallina; além da Assessoria Jurídica Nacional (AJN) do Sindicato.
Durante o encontro, a diretoria do ANDES-SN apresentou o trabalho que vem desenvolvendo no enfrentamento às diferentes formas de opressão nas instituições federais de ensino, com destaque para a atuação da comissão da entidade voltada ao combate à criminalização de docentes e demais integrantes da comunidade acadêmica.
O ANDES-SN também apresentou um diagnóstico da situação, destacando o crescimento dos casos de perseguição docente, assédio institucional e outras formas de violência, além da dificuldade das administrações das instituições em solucionar essas situações. Segundo a entidade, em diversos casos, a própria atuação das administrações acaba contribuindo para a perseguição de docentes, que podem adoecer em decorrência do assédio institucional.
A secretária-geral ressaltou que o Sindicato acompanha atualmente mais de 40 casos relacionados a situações de perseguição e opressão. Conforme ela, os casos envolvem, de forma significativa, pessoas trans, mulheres e pessoas negras, evidenciando que a perseguição também é atravessada por marcadores de gênero e raça.
Fernanda Maria destacou ainda que, em alguns casos, a atuação de docentes em temas que envolvem interesses de grupos externos às instituições pode contribuir para o agravamento das perseguições. Nesse contexto, instrumentos como Investigações Preliminares Sumárias (IPS) e Processos Administrativos Disciplinares (PADs) podem acabar sendo utilizados como mecanismos de perseguição contra docentes, técnicas e técnicos e, inclusive, estudantes.
Outro ponto apresentado pelo ANDES-SN foi a existência de decisões distintas de corregedorias diante de situações semelhantes, em razão de diferentes interpretações e subjetividades na condução dos procedimentos.
Desafios e atuação técnica O corregedor adjunto do MEC explicou que a Corregedoria do Ministério está vinculada à Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo ele, o Sistema de Correição do Poder Executivo Federal (SisCor) reúne 252 unidades, sendo 117 vinculadas ao MEC, o que representa um desafio significativo para a atuação coordenada das corregedorias.
Mourão afirmou que a Corregedoria busca fortalecer uma atuação técnica, evitando a abertura e a condução desnecessária de processos administrativos disciplinares e sindicâncias. Nesse contexto, a CGU criou a Investigação Preliminar Sumária (IPS), prevista na Portaria Normativa CGU nº 27, de 11 de outubro de 2022. O procedimento, de caráter sigiloso, é destinado a verificar a existência de elementos que indiquem materialidade suficiente para a instauração de um PAD.
De acordo com o corregedor adjunto, 87% das denúncias analisadas em IPS são arquivadas. Nos casos que avançam para processos administrativos, menos de 3% chegam posteriormente à Justiça, segundo os dados apresentados na reunião.
A Corregedoria do MEC reconheceu, entretanto, que um dos problemas está relacionado à interpretação das IPS a partir de concepções fundamentadas no artigo 143 da Lei nº 8.112/1990, que estabelece que a autoridade que tiver ciência de irregularidade no serviço público tem o dever de promover sua apuração. Para o órgão, é necessário superar interpretações que reforcem um caráter excessivamente punitivo dos procedimentos.
Nesse sentido, a Corregedoria do MEC informou que trabalha na proposta de criação de uma rede de corregedorias vinculadas ao Ministério, com o objetivo de promover maior articulação e formação das equipes responsáveis pelos procedimentos correcionais nas instituições.
O 1º vice-presidente Regional Norte 1 do ANDES-SN, Marcelo Vallina, manifestou preocupação com a forma como as investigações preliminares sumárias vêm sendo utilizadas nos casos acompanhados pelo Sindicato.
“O ANDES-SN manifestou sua profunda preocupação com o instrumento que, nos casos acompanhados pelo Sindicato, são tudo menos sigilosos, inclusive com o afastamento prévio de docentes, técnicas e técnicos e estudantes. As IPS estão se transformando em mais um passo para a abertura de um PAD, porque não pressupõem a inocência, nem asseguram a ampla defesa e o direito ao contraditório”, disse.
Hoje, no Segunda com Ciência, apresentamos a pesquisa da doutora Sandra Mara Souza de Oliveira Silva.
Nesta tese, foi desenvolvida uma análise socioidentitária do discurso religioso da doutrina de Raimundo Irineu Serra a partir das letras dos hinos cantados/rezados no culto religioso do Centro Rainha da Floresta: a casa de Juramidã- CRF.
O principal objetivo foi analisar como as práticas sociais e discursivas determinam os sentidos que as palavras assumem na dinâmica da produção de identidades.
Quem é a pesquisadora? 🔍
Sandra Mara Souza de Oliveira é doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Linguagem e Identidade – PPGLI da Universidade Federal do Acre – Ufac,
O ANDES-SN manifesta seu veemente repúdio aos atos de violência, intimidação, ameaça e desrespeito ocorridos nesta quinta-feira, 20 de agosto, nas dependências da Faculdade de Comunicação (FACOM) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) e integrantes de sua equipe.
A ação do parlamentar e de sua equipe, marcada pela truculência, interrompeu a rotina acadêmica e um ato de recepção aos(às) estudantes ingressantes, atingindo estudantes, docentes, servidores(as) técnico-administrativos(as) e trabalhadores(as) terceirizados(as).
O estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da FACOM, foi empurrado por um integrante da segurança do parlamentar e ficou ferido. O diretor da FACOM, professor Washington Souza Filho, também foi alvo de desrespeito e de ameaças ao cumprir suas atribuições institucionais na defesa do território universitário.
O ANDES-SN manifesta sua solidariedade ao estudante ferido, ao diretor da FACOM e a toda comunidade universitária da UFBA, e exige a apuração rigorosa dos fatos e a responsabilização dos(as) envolvidos(as), com a adoção de todas as medidas necessárias para garantir a segurança da comunidade acadêmica contra os ataques da extrema direita.
O episódio não pode ser tratado como um fato isolado. A violência e a intimidação fazem parte de uma ofensiva da extrema direita contra as universidades públicas, seus(suas) trabalhadores(as) e estudantes.
Por serem espaços de produção crítica do conhecimento, de organização coletiva e de defesa da ciência e dos direitos sociais, as universidades têm se tornado alvos constantes de ataques promovidos por grupos neofascistas organizados em todo o país. Essas ações vêm se intensificando em um contexto político marcado pelas eleições, buscando angariar votos e fortalecer o discurso e a ideologia fascistas por meio de ações sistemáticas de deslegitimação e descredibilização das Instituições de Ensino Superior (IES), responsáveis pela produção e difusão do conhecimento científico e da cultura.
O avanço do fascismo também se manifesta na tentativa deliberada de impor o medo, o silenciamento e a perseguição política nas IES. Não aceitaremos que as universidades sejam convertidas em territórios de intimidação, violência e autoritarismo. Não recuaremos diante de ameaças, não nos calaremos diante da violência e não permitiremos que grupos fascistas ditem os rumos da vida universitária.
O ANDES-SN reafirma, de forma inequívoca, que defender a autonomia universitária, a ciência e a pesquisa públicas, a liberdade de cátedra, a organização estudantil e sindical é enfrentar o fascismo em todas as suas formas.
A universidade não é território do medo: é espaço de liberdade, pensamento crítico, organização e resistência!
Nenhum passo atrás: fascistas, fascistas, não passarão!
Brasília, 21 de agosto de 2026. Diretoria do ANDES-Sindicato Nacional
Entre os dias 20 e 21 de junho de 2026, a sede do ANDES-SN, em Brasília, sediou a reunião do Grupo de Trabalho de Política Educacional, o GTPE. Segundo o relatório enviado às seções sindicais, o principal momento do encontro foi o painel “PNE, Orçamento e Políticas para o Ensino Superior: autonomia e gestão pública”, que reuniu representantes da ANPEd, da ANFOPE e do ANDES-SN para avaliar os impactos do novo Plano Nacional de Educação e do uso político do orçamento na educação pública.
Abrindo as exposições, a professora Miriam Fábia Alves, da ANPEd, apresentou dados do professor Nelson Cardoso de Amaral, com base no SIOP, referentes aos últimos 24 anos. A pesquisadora destacou que o investimento na graduação caiu justamente no período de expansão das universidades e que, atualmente, o valor destinado a essa etapa é menor do que o registrado há 11 anos. Segundo Miriam, houve ainda perda significativa de recursos para pagamento de pessoal em função da inflação.
Ainda, o Congresso Nacional tem transformado o orçamento da educação em “balcão de negociatas da forma mais espúria possível”. Miriam citou como exemplo o desvio, na semana de 15 de junho, de parte dos recursos do Programa de Financiamento da Infraestrutura Escolar para o pagamento de dívidas do agronegócio. A professora avaliou que, quanto mais reacionária for a composição do Congresso, pior será a situação do financiamento da educação pública, com verbas sendo direcionadas por interesse político e não por planejamento ou necessidade das instituições.
Ao analisar o novo PNE, a representante da ANPEd criticou a ausência de metas para ampliação de matrículas no ensino superior público e apontou que a meta da pós-graduação foi cumprida apenas parcialmente. Para ela, é preciso questionar a lógica de aumentar vagas na pós-graduação sem garantir a abertura de postos de trabalho para absorver mestres e doutores. Miriam elencou seis grandes gargalos para o setor: permanência e evasão estudantil, acesso elitizado, captura do fundo público, financiamento da pós-graduação, autonomia universitária e desvalorização da área das Humanidades. A professora denunciou também a forte expansão do ensino a distância nas licenciaturas entre 2018 e 2024, bem como o avanço dos processos de terceirização, e defendeu que, sem a expansão da rede pública, o acesso ao ensino superior tem se transformado em sinônimo de endividamento. Ao final, a ANPEd apresentou sua agenda para 2026, que inclui a defesa de 10% do PIB para a educação pública, o fortalecimento do PNAES, a proteção da pós-graduação, a implementação do Sistema Nacional de Educação e a reafirmação da educação como direito.
Representando a ANFOPE, a professora Andréia Nunes Militão iniciou sua fala em nome da professora Malvina Tuttman. A entidade centrou sua contribuição na análise da formação de profissionais da educação e dos impactos do orçamento e do PNE sobre a formação inicial e continuada. Mesmo com a interrupção da leitura do relatório, a ANFOPE reafirmou sua posição histórica em defesa de uma formação pública, presencial e de qualidade, posicionando-se de forma contrária à expansão mercantil do ensino a distância.
Pelo ANDES-SN, o professor Marcos de Oliveira Soares articulou a discussão do painel com os informes da diretoria apresentados na parte da manhã. O sindicato reforçou a luta contra a lista tríplice e a defesa do fim das indicações políticas para reitorias, destacando a importância da Portaria nº 549/2026, que instituiu o Grupo Consultivo sobre gestão democrática. No campo do orçamento, Marcos apresentou o lançamento do “Painel de Consulta ao Financiamento das Instituições Públicas de Ensino Superior” e do relatório de pesquisa sobre o orçamento das IFES, IEES, IMES e IDES. Para o ANDES-SN, essas ferramentas são fundamentais para expor como as emendas e os cortes têm desorganizado o planejamento das instituições e aprofundado a precarização. O dirigente destacou ainda a necessidade de fortalecer a atuação na CONEDEP e na construção da Plenária Nacional de Educação e do IV ENE, em unidade com FASUBRA, SINASEFE e CSP-Conlutas.
O debate realizado no dia 21 de junho concentrou-se em três eixos. O primeiro foi justamente a crise orçamentária e a captura do fundo público via emendas parlamentares, com consenso entre as entidades de que essa prática impede qualquer política de Estado para a educação e submete as universidades à lógica do toma-lá-dá-cá. O segundo eixo tratou do ataque ao ensino superior e à pós-graduação, com denúncia do “desaparecimento” dessas pautas da agenda do MEC, que estaria priorizando exclusivamente a educação básica. As entidades manifestaram grande preocupação com os cortes nas bolsas e na pesquisa, especialmente nas Humanidades, em um ano eleitoral. O terceiro eixo apontou para a necessidade de unidade e resistência. ANPEd, ANFOPE e ANDES-SN reafirmaram a urgência de uma agenda comum de luta e encaminharam o fortalecimento da campanha em defesa da educação pública, da autonomia universitária e contra a militarização das escolas. Ao final da reunião, o GTPE deliberou por dar continuidade ao debate sobre o PNE, o orçamento e a CONEDEP, além de organizar ações no âmbito da Campanha em Defesa da Educação Pública e do Dia Nacional Contra a Violência e Militarização das Escolas.
A palestra irá refletir sobre a trajetória da resistência cultural palestina, traçando uma linha de continuidade entre diferentes gerações de intelectuais, jornalistas e artistas. De Ghassan Kanafani a Refaat Alareer, de Shireen Abu Akleh a Anas Al-Sharif, de Naji Al-Ali a Heba Zagout e outros artistas palestinos contemporâneos, mostrará que a Nakba continua, assim como a violência e as tentativas sistemáticas de silenciamento e apagamento do povo palestino.
Em contraponto, destacará que permanecem também a palavra, a imagem, o testemunho, a luta e o sumud — a perseverança. A proposta do encontro será dialogar com as formas de intervenção e criação cultural palestinas enquanto espaços de memória, testemunho e resistência.
Ao final, o que se busca, é afirmar o compromisso de continuar intervindo, escrevendo e compartilhando as narrativas palestinas, permanecendo na luta pelo direito à vida e à autodeterminação do povo palestino.
Sobre a palestrante:
Taghreed Abolyazeed Hashem Alroshdy Professora no Departamento de Língua Portuguesa da Aswan University, Egito. Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) na Universidade Federal do Acre (UFAC).