A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre – ADUFAC, Seção Sindical do ANDES-SN, vem a público manifestar seu profundo repúdio e indignação diante do assassinato da liderança Ashaninka Américo Pascuala Tomisha, 57 anos, morto a tiros no dia 23 de agosto, enquanto realizava ação de vigilância territorial contra a retirada ilegal de óleo de copaíba na Comunidade Nativa Onconashari, no distrito de Yurúa, província de Atalaya, Peru, fronteira com o Acre.
Este crime brutal não é um fato isolado. Conforme noticiado pelo jornal O Varadouro, ele ocorre pouco mais de um mês após a invasão armada à Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo (AC), quando cinco homens fortemente armados ameaçaram lideranças na aldeia Apiwtxa por impedirem o uso do território como rota do narcotráfico. Ocorre também dez anos após o massacre de Saweto, em 2014, quando quatro lideranças Ashaninka foram executadas por denunciarem madeireiros ilegais.
O que une todos esses casos é o mesmo padrão: a ausência estrutural do Estado brasileiro e peruano na faixa de fronteira, a entrega dos territórios ao crime organizado, do garimpo, da extração ilegal de madeira e copaíba, e a exposição das próprias lideranças indígenas, que são obrigadas a fazer com o próprio corpo a fiscalização que caberia ao poder público. Desde 2020, conforme denuncia a Coordenadora Nacional de Direitos Humanos do Peru, o Estado peruano já tinha conhecimento das invasões em Onconashari.
No lado brasileiro, como bem alertou a liderança Francisco Piyãko, a presença policial tem sido temporária e reativa. Operações pontuais não protegem vidas. A fronteira de 3,5 milhões de hectares de floresta que abriga os Ashaninka, povos em situação de isolamento voluntário e de contato recente, não pode continuar desprotegida.
Diante da gravidade dos fatos, a ADUFAC exige:
1. Das autoridades peruanas: investigação imediata, imparcial e transparente do assassinato de Américo Pascuala Tomisha, com identificação e punição de executores e mandantes, e proteção efetiva e urgente para os moradores, vigilantes e autoridades de Onconashari.
2. Do Governo Federal, FUNAI, Ministério dos Povos Indígenas, Ministério da Justiça e Governo do Estado do Acre: a implementação de uma política permanente, estruturada e com inteligência na fronteira, para além de operações episódicas; o fortalecimento da proteção territorial indígena e a garantia de vida e segurança para as lideranças ameaçadas, em especial do povo Ashaninka da TI Rio Amônia.
3. Do Ministério Público Federal e da Justiça: o acompanhamento rigoroso das denúncias e a responsabilização do Estado brasileiro por sua omissão na proteção dos povos indígenas, conforme prevê a Constituição Federal.
A ADUFAC se solidariza com a família de Américo Pascuala Tomisha, com a Comunidade Onconashari, com a ORAU, a AIDeSEP e com o povo Ashaninka do Rio Amônia.
Defender os povos indígenas, seus territórios e a floresta é defender a vida. A violência na fronteira não pode ser normalizada.
Rio Branco – AC, 26 de agosto de 2026.
Diretoria da ADUFAC – Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre
Seção Sindical do ANDES – Sindicato Nacional

