Adufac

Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre

O violento assassinato da médica Elyne de Assis Nogueira, ocorrido ontem, 2 de novembro, na cidade de Brasiléia, mais uma vez coloca em evidência o estado do Acre como um dos lugares com os maiores índices de feminicídio no país. As cenas chocantes dessa barbárie assustam a todas e a todos nós, não apenas pela forma fria e covarde como o crime foi praticado, mas pelo fato de que a vítima havia acionado a segurança pública, que foi incapaz de cumprir seu papel.

Elyne de Assis Nogueira foi alvo de uma morte anunciada, pois, segundo notícias veiculadas na imprensa, possuía medida protetiva e o próprio Ministério Público Estadual já havia solicitado a prisão preventiva do principal suspeito de ser o mandante do crime.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, uma em cada três mulheres com medida protetiva é vítima de feminicídio. O dado evidencia que, embora medidas judiciais sejam adotadas, elas têm se mostrado ineficientes para conter assassinatos de mulheres. Segundo o mesmo Anuário, o Acre é o estado que mais mata mulheres no país. No entanto, os recursos destinados ao enfrentamento da violência contra a mulher são cada vez mais escassos. Na última Lei Orçamentária Anual de 2026 do município de Rio Branco, por exemplo, foram previstos apenas R$ 3,00 para o Programa Mulher com Dignidade. Diante disso, é legítimo questionar: quanto vale a vida das mulheres que residem no Acre?

Curiosamente, a mesma segurança pública que, de modo absurdo e injustificável, agrediu recentemente o estudante de mestrado da Ufac Anthony Gabriel agora evidencia sua incapacidade de garantir proteção a uma mulher que, em condição absolutamente vulnerável, pediu garantia de vida que lhe foi negada. Nada justifica isso, nada. Nesse sentido, também somamos nossa voz às vozes das entidades que exigem responsabilização diante das omissões frente aos apelos de Elyne de Assis Nogueira.

A Diretoria da Adufac, seção sindical do ANDES – Sindicato Nacional, o Levante Feminista Acre e o Instituto Mulheres da Amazônia – IMA solidarizam-se com a família, as amigas e os amigos de Elyne de Assis Nogueira e exigem que as autoridades policiais e a Justiça do Estado do Acre procedam a uma apuração célere e rigorosa desse crime e punam com rigor o mandante e o autor do assassinato.

Rio Branco – Acre, 03 de novembro de 2026

Diretoria da Adufac

Levante Feminista Acre

Instituto Mulheres da Amazônia


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