Adufac

Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre

Sob o duro impacto da violência que se abateu no dia de hoje sobre a comunidade escolar do Instituto São José, a Associação de Docentes da Universidade Federal do Acre – Adufac, Seção Sindical do Andes – Sindicato Nacional, expressa seu mais profundo pesar pelo brutal assassinato de duas trabalhadoras em educação, e solidariedade às suas famílias, solidariedade a toda a comunidade escolar e suas famílias, estimando pelo pronto restabelecimento dos feridos e demais pessoas atingidas pelo peso da violência física e simbólica no ambiente escolar. 

A escola deve ser o lugar da formação intelectual, da formação humana, da formação política, da percepção afetiva de si e das outras pessoas, da defesa da vida em todas as suas dimensões. A escola não pode ser lugar de violência. A violência é a derrota da escola, é a derrota da sociedade, é a nossa derrota. Todas e todos nós, que trabalhamos na educação, amargamos esse duro revés, essa dura derrota, simbolizada nas irreparáveis perdas das duas trabalhadoras, mortas em pleno local de trabalho. 

Na tarde de hoje, o inominável atingiu as estudantes e os estudantes do Instituto São José, atingiu as trabalhadoras e os trabalhadores do Instituto São José, atingiu a direção do Instituto São José, atingiu a todas as famílias da comunidade escolar do Instituto São José, atingiu a toda comunidade da cidade de Rio Branco, atingiu a todas e todos nós que acreditamos na educação, que defendemos a educação, que sonhamos com a educação, que vivemos a educação. 

Antes mesmo que soubéssemos o que havia ocorrido, já éramos invadidas e invadidos por imagens dos corredores ensanguentados, dos corpos de nossas duas colegas estirados sem vida sobre os ladrilhos dos corredores da escola; pelas imagens das jovens e dos jovens estudantes correndo em desespero, tentando se abrigar nos telhados, por cima dos muros, correndo pelos portões de acesso para encontrar seus

desesperados familiares. Antes mesmo de termos qualquer notícia já éramos atingidas e atingidos pelo irreversível, pelo inominável, que nos fitava com olhos aterradores, com olhos paralisantes. Antes mesmo de sabermos qualquer notícia, as imagens do horror, difundidas de modo sensacionalista e infame, já nos atingiam com os olhos de Górgona, nos petrificando de maneira inacreditável. 

O que dizer depois de tudo isso? O que dizer dessas cenas de terror no espaço escolar? O que dizer para nossas filhas e nossos filhos, que levamos todos os dias para a escola? O que dizer para as nossas colegas trabalhadoras em educação e para os nossos colegas trabalhadores em educação, que saem de casa para trabalhar em um local que deveria ser inatingível, mas que vivem agora sob o signo do medo, da dúvida, da desconfiança, da angústia? O que dizer frente a esse trágico acontecimento? O que dizer? O que fazer para que cenas como essas nunca mais aconteçam? O que fazer para que as mortes das duas colegas trabalhadoras em educação e os traumas de todas as pessoas feridas (física e psicologicamente) no interior do Instituto São José não fiquem impunes, não sejam silenciadas e silenciados em estatísticas da violência, não sejam silenciadas e silenciados frente à ausência de políticas públicas eficazes e eficientes para garantir condições dignas e seguras de vida, de estudo, de trabalho, de educação, de saúde, de moradia, de lazer, de vida sem violência, de vida em vida? 

Rio Branco, Acre, 5 de maio de 2026 

Diretoria da Adufac.

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