
A Universidade Federal do Acre, em conjunto com a Associação de Docentes da Ufac – ADUFAC, Seção Sindical do ANDES-SN, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau do Acre – Sintest-AC e o Diretório Central dos Estudantes – DCE da Ufac, vem a público repudiar, com veemência, a conduta do presidente estadual do PL, João Paulo Bittar, que atacou a comunidade acadêmica da Ufac em vídeo com propósito eleitoral, ao dizer: “pessoal aí da Ufac, vocês são tudo um bando de vagabundo”.
Essa declaração é inaceitável, mentirosa e ofensiva. Ataca não apenas estudantes, mas toda a comunidade acadêmica que constrói diariamente, com trabalho e pesquisa, a universidade do Acre.
Quem chama universitários de vagabundos desconhece — ou finge desconhecer — a realidade da Ufac: são trabalhadoras, trabalhadores, mães e pais de família que dedicam uma vida inteira ao ensino superior no Acre; são estudantes de todas as classes, indígenas, ribeirinhos, das periferias de Rio Branco e do interior do estado, que enfrentam dois ônibus em seu deslocamento ou que sequer possuem acesso ao transporte público para chegar à universidade, que dependem do RU e da bolsa de permanência; são docentes, técnicas e técnicos, jovens pesquisadoras e pesquisadores que garantem, mesmo com restrições de orçamento, que a ciência produzida na Amazônia continue existindo.
O termo “vagabundo” não é um descuido. É parte de um projeto político que busca deslegitimar a universidade pública para justificar seu desmonte, o corte de verbas e a privatização. A Ufac não é lugar de vagabundagem. É lugar de aula, de pesquisa, de extensão. É lugar de quem trabalha e estuda para construir o Acre.
De forma ainda mais grave, em um suposto vídeo de retratação, em vez de pedir desculpas, João Paulo Bittar reafirma e aprofunda a ofensa ao declarar que seriam vagabundos apenas os estudantes militantes, referindo-se a eles como “quem vive no DCE fumando maconha”. Trata-se de uma dupla agressão e de uma acusação grave. Primeiro, generaliza um ataque contra toda a universidade. Depois, tenta criminalizar e estigmatizar o movimento estudantil e todas as formas de organização dessa categoria (DCE, centros acadêmicos e atléticas estudantis), com uma retórica preconceituosa, moralista, retrógrada e falaciosa: uma evidente tentativa de deslegitimar quem se organiza, quem debate os rumos da universidade e quem defende a educação pública e os direitos democráticos na sociedade acreana.
O DCE não é composto por vagabundos. É uma entidade com mais de meio século de existência e resistência em defesa da universidade pública e gratuita; é a legítima representação dos estudantes da Ufac, formada por jovens que estudam, trabalham, pesquisam e fazem extensão. Criminalizar a militância estudantil é atacar a democracia universitária e a liberdade de organização. Não aceitaremos que a Ufac e suas entidades representativas sejam transformadas em alvo de ataques eleitoreiros e de discursos de ódio.
Exigimos retratação pública e integral e reafirmamos, neste 15/10, Dia das Professoras e dos Professores, nossa solidariedade irrestrita às estudantes, aos estudantes e a toda a comunidade acadêmica da Ufac.
Rio Branco – AC, 15 de outubro de 2026.