
O tempo dedicado ao trabalho sempre esteve no centro das lutas da classe trabalhadora.
No Brasil, a última redução legal da jornada ocorreu em 1988, com a Constituição Federal, que fixou o limite de 44 horas semanais. Desde então, não houve novos avanços.
A escala 6×1, caracterizada por seis dias consecutivos de trabalho e apenas um de folga, consolidou-se após a Reforma Trabalhista de 2017. O modelo tem sido alvo de críticas de entidades sindicais e pesquisadores por comprometer a saúde, o convívio familiar e o tempo livre dos trabalhadores.
No artigo “O Fim da Escala 6×1 e a Possível Reintrodução da Padronização das Jornadas no Contexto Pós-Reforma Trabalhista”, a pesquisadora Daniela Macia Ferraz Giannini avalia que a extinção da escala 6×1, sem redução salarial, representa mais do que a garantia de tempo livre.
Segundo Giannini, a medida recoloca os temas da redução e da padronização da jornada no debate social e configura-se como uma possibilidade de atenuar efeitos da Reforma Trabalhista de 2017. Ao propor nova organização do tempo de trabalho, a extinção da 6×1 desafia os parâmetros normativos instituídos pela reforma e abre espaço para a construção de um modelo de sociedade que reconheça o direito ao tempo livre e à autonomia sobre o próprio tempo.
A análise integra o dossiê “Fim da Escala 6×1 e a Redução da Jornada de Trabalho”, que reúne 36 artigos de pesquisadoras e pesquisadores sobre o tema.
Confira abaixo o Dossiê completo:
1º artigo: Mercantilização financeirizada da Educação, Ensino Superior a Distância e jornadas de trabalho jamais vistas, de Roberto Leher e Amanda Moreira da Silva.
2º artigo: Vivo apenas para trabalhar: os impactos da escala 6×1 na saúde e na vida social de trabalhadoras e trabalhadores, de Flávia Manuella Uchôa de Oliveira, Clarice Rodrigues Pinheiro, Rafael Macharete, Gabriel Sant’Anna, Mary Zhang e Lucas de Oliveira.
3º artigo: O impacto da escala 6×1 para a juventude brasileira e a necessidade da redução da jornada de trabalho, de Débora de Araújo Costa e Ezequiela Zanco Scapini.
4º artigo: Fim da Escala 6×1 e a Redução da Jornada de Trabalho, por Daniela Macia Ferraz Giannini.
5º artigo: Impactos das longas jornadas de trabalho dos entregadores de alimentos por plataformas digitais em sua saúde física e mental, de Laura Valle Gontijo.
6º artigo: Jornada reduzida para trabalho em turnos ininterruptos de revezamento: avanços, retrocessos e incompreensões, de Carlindo Rodrigues de Oliveira.
7º artigo: Fractais do tempo: jornadas, sofrimento e a Grande Demissão no Brasil, de Cássio da Silva Calvete, Luciane Franke e Tiago Pinheiro.
8º artigo: Qual o papel dos sindicatos na luta pelo fim da escala 6×1?, de Ana Paula Colombi, Anderson Campos, Ariella Silva Araujo, Andréia Galvão, Elaine Amorim, José Dari Krein e Patrícia Vieira Trópia.
9º artigo: A promessa incumprida de mais tempo livre ao trabalhador, de Leonardo Lani de Abreu.
10º artigo: A escala 6×1 nos serviços de alimentação fora do lar: impactos e debate, de Luciana de Oliveira Silva.
11º artigo: Considerações Sobre a Redução da Jornada de Trabalho: criação de postos de trabalho e aumento da produtividade dos trabalhadores e das trabalhadoras, de Marilane Teixeira, Clara Saliba, Caroline Lima de Oliveira e Lilia Bombo.
12º artigo: Trabalhar menos para que a Terra descanse, de Cesar Sanson.
13º artigo: Negro – trabalhador ou escravo de carteira assinada? Uma abordagem interseccional sobre a jornada de trabalho, de Carlos Alberto de Oliveira.
14º artigo: Por que lutar contra a escala 6×1 é lutar contra a desigualdade racial?, de Taís Dias de Moraes.
15º artigo: Juventude, Precarização e Novos Horizontes de Resistência: O que de novo mostram as lutas pela vida além do trabalho?, de Natália Cindra e Tiago Magaldi.
16º artigo: A histórica luta da classe trabalhadora pelos direitos de proteção social: dos limites da jornada à vital redução do tempo de trabalho, de Magda Barros Biavaschi e Bárbara Vallejos Vazquez.
17º artigo: Tempo de trabalho e de vida é tema do 17º artigo do dossiê sobre o fim da escala 6×1, de Ana Claudia Moreira Cardoso.
18º artigo: A PEC 8/2025 e a redução da jornada de trabalho: impactos e tensões no Direito do Trabalho, de Sidnei Machado.
19º artigo: Jornada de trabalho no Brasil e na França: uma análise comparativa, de Lucas Reis da Silva.
20º artigo: Redução da Jornada de Trabalho e o Fim da Escala 6×1: Desafios e Estratégias Sindicais no Brasil Contemporâneo, de Ulisses Borges de Resende e Rafael Ávila Borges de Resende.
21º artigo: “Redução da jornada de trabalho e o Fim da Escala 6×1: as lutas pelo direito ao trabalho no Brasil”, de Ricardo T. Neder.
22º artigo: “O resgate da vida do trabalhador, subtraída pela apropriação da mais-valia capitalista”, de Edivaldo Ramos de Oliveira.
23º artigo: “Por uma jornada mais humana: impactos da redução da carga horária na saúde laboral”, de Emerson Costa de Sá e Francisco Marques de Lima.
24º artigo: “Escala 6×1 e a saúde de trabalhadoras e trabalhadores”, de Monica Simone Pereira Olivar.
25º artigo: “Tempo para Aprender, Tempo para Viver: a Redução da Jornada de Trabalho como Condição para o Direito à Qualificação Profissional no Brasil”, de Any Ávila Assunção e Rafael Ávila Borges de Resende.
26º artigo: “Nota em defesa da redução da jornada de trabalho: eliminar as formas precarizantes de flexibilização”, de autoria de Samuel Nogueira Costa.
27º artigo: “Trabalho que fratura, jornada que adoece: saúde mental e os impactos da escala 6×1”, de Vanessa Silveira de Brito.
28º artigo: “Fim da escala 6 X 1: e o trabalho de cuidados, como é que fica?”, de Élida Azevedo Hennington.
29º artigo: “O peso do trabalho e os corpos que aguentam: quem são os corpos que sustentam as estruturas da escala 6×1”, de Wanise Cabral Silva, Ludmila Rodrigues Antunes e Mariane Pereira Rodrigues.
30º artigo: “Sindicatos para fazer valer direitos: e lutar por mais”, de Miguel E. Torres, Ricardo Patah, Antonio Neto, João Carlos Gonçalves (Juruna), Francisco Pegado e Álvaro Egea.
31º artigo: “Alongamento e redução da jornada de trabalho no Brasil”, de Sadi Dal Rosso.
32º artigo: “Tempo de Trabalho: Fonte de Prazer e Realização ou de Sofrimento, Adoecimento e Mortes?”, de Ana Claudia Moreira Cardoso.
33º artigo: “Perspectivas para a aprovação da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1”, de Edvaldo Fernandes da Silva.
34º artigo: “O recente caso chileno de redução da jornada de trabalho: o equilíbrio entre a vida familiar e laboral”, de Isadora Scheide Muller e Cássio da Silva Calvete.
35º artigo: “¿Reducción de la jornada laboral?: consensos posibles, cambios reales y nominales en México”, de Leslie Noemi Lemus Barahona.
36º artigo: “Viabilidade econômica para redução da jornada de trabalho no Brasil”, de Isadora Scheide Muller e Cássio da Silva Calvete



Deixe um comentário